Contrariando Bolsonaro, Mourão diz que posição do governo é isolamento

Para Mourão, presidente pode “ter se expressado de uma maneira que não foi a melhor” em pronunciamento à nação.

Vice-presidente Hamilton Mourão - Foto: Romério Cunha/PR

Em entrevista nesta quarta-feira (25), o vice-presidente, Hamilton Mourão, contrariou o posicionamento defendido ontem (24) pelo presidente Jair Bolsonaro em discurso em cadeia nacional de televisão.

 

Ao falar com jornalistas sobre ações do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Mourão afirmou que a posição do governo sobre o combate à pandemia do coronavírus é “uma só”: isolamento e distanciamento social

Em seu pronunciamento na noite de terça, Bolsonaro havia defendido uma “volta à normalidade”, com “fim do confinamento em massa” e reabertura de escolas e comércio. O presidente afirmou que somente quem tem acima de 60 anos pertence ao grupo de risco e deve ficar em quarentena.

 

Questionado a respeito, Mourão disse que Bolsonaro pode “ter se expressado de uma maneira que não foi a melhor”.

O presidente da República tem ficado cada vez mais isolado em meio à crise do Covid-19, cuja gravidade tem se negado a reconhecer. Após uma reunião desastrosa com governadores do Sudeste e Centro-Oeste na manhã de hoje, por exemplo, houve a convocação de uma reunião dos governadores dos 27 estados para esta tarde, sem a participação do presidente.

A Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), que reúne prefeitos de 406 municípios brasileiros com população acima de 80 mil habitantes, divulgou uma carta de repúdio às declarações do presidente após uma teleconferência. Os gestores afirmaram que continuarão seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e questionaram a posição oficial do Ministério da Saúde sobre a questão do isolamento social.

 

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, que tem suas orientações constantemente contrariadas por Bolsonaro, buscou alinhar seu discurso ao do presidente, mas não defendeu o “isolamento vertical” preconizado por Bolsonaro, em que apenas idosos ficariam confinados.

Em coletiva esta tarde, Mandetta afirmou que “a vida tem que seguir” e que houve “precipitação” nas decisões sobre quarentena. Segundo Mandetta, as decisões sobre o isolamento devem ser tomadas gradualmente, analisando caso a caso, em coordenação com o Ministério da Saúde.

 

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