Cooperativismo realiza sonho da casa própria

Sistema sem fins lucrativos permite que participantes de cooperativa busquem imóvel próprio com custos reduzidos em Cascavel
 

Ricardo Chicarelli/20-07-2012

Todos os custos de construção são divididos pelo grupo de cooperados, desde
o valor do terreno até a taxa de administração

O cooperativismo habitacional é pouco conhecido da população em geral e, no Paraná, apenas uma associação do tipo está registrada na Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). A Cooperativa Habitacional de Cascavel (Coohabivel) foi fundada em 1997 e reúne 156 pessoas que estão em busca de um imóvel próprio, em três empreendimentos de 52 unidades cada. 

Em uma das obras, entregue há quatro anos, foi construído um edifício com apartamentos de 142 metros quadrados ao custo de R$ 89 mil por cooperado. O diretor presidente da Coohabivel, Ulice Scussiatto, evita comparar o sistema com o de financiamento de bancos, mas exemplifica a economia proporcionada aos proprietários pelo preço de revenda. ''Hoje, temos pessoas que colocaram um apartamento à venda por R$ 350 mil'', conta. 

Criada por iniciativa da Associação das Micro e Pequenas Empresas de Cascavel (Amic), a Coohabivel tem a maioria dos cooperados formada por profissionais liberais, pequenos empresários e pessoas que buscam investir em imóveis. Scussiato era o vice-presidente da Amic e, por isso, foi escolhido como diretor presidente da Coohabivel. 

Defensor do sistema, ele afirma que falta muita informação sobre cooperativismo, principalmente sobre o financeiro ou de crédito. ''As pessoas ainda não sabem como funciona uma cooperativa no País e por isso decidimos montar uma de habitação. No caso das financeiras, 36% das instituições do tipo na Alemanha são cooperativas e no Brasil não passsa de 3%'', conta Scussiato. 

Estrutura 

Todos os custos são divididos pelo grupo de cooperados, desde o valor do terreno até a taxa de administração de 10%. No último empreeendimento, a cooperativa comprou uma área pelo preço de R$ 20 mil para cada um dos 52 integrantes, que serviu como uma espécie de entrada. Depois, cada um assumiu uma parcela de R$ 1.710 por 100 meses, reajustada pelo Custo Unitário Básico (CUB), indicador monetário usado pela construção civil. Em setembro, o aumento foi de 0,31% em relação a agosto. 

Caso o cooperado resolva desistir da obra, ele será ressarcido pela Coohabivel em 70% do valor pago. Porém, a pessoa não tem a chance de vender a cota para pessoas de fora do grupo. Os recursos para a compra vêm da taxa de administração, que costuma sobrar no fim de cada mês, segundo Scussiatto. ''Normalmente, nosso custo é de 4% a 6% do total e o que sobra é investido em melhorias nas construções ou devolvido aos cooperados na entrega'', diz. 

Outra vantagem é que, por atuar em várias obras, a cooperativa pode manter um quadro de funcionários fixos. ''Grande parte dos problemas da construção civil é com mão de obra e, como são dois projetos, realoco o carpinteiro, se preciso'', explica. Apenas os serviços de pintura, revestimento de gesso e de instalação de janelas são terceirizados. 

Todas as decisões são tomadas em assembleias. Para manter a estrutura de administração, a Coohabivel evita ficar com apenas um empreendimento por vez. 

A cada quatro anos, um terço do conselho administrativo é renovado. Além disso, o mesmo escritório é usado pela Cooperativa Habitacional Amigos de Cascavel (Cohamic), criada há 21 anos pelo mesmo grupo, mas ainda à epera de registro na Ocepar. ''A Cohamic é totalmente legalizada e apenas não consta entre as associadas da Ocepar'', reforça Scussiatto. Pela organização, são mais dois projetos em andamento. 
 
 
 

 

Última atualização ( Qui, 11 de Outubro de 2012 10:33 )  

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